Segunda-feira, Outubro 05, 2009

EDIFICANDO SUA VIDA

Sigamos um exemplo, a construção de uma casa. Você quando pensa em construir uma casa, a cria, detalhe por detalhe, antes mesmo de martelar o primeiro prego ou levantar o primeiro tijolo. Tenta ter uma noção bem clara do tipo de residência que deseja. Contrata um arquiteto e diz a ele o que deseja numa casa voltada para a família. Decide pela sala de visitas. Prevê um pátio externo para as crianças brincarem e portas corrediças, quarto espaçosos, cozinha ventilada, cor, portas e janelas de madeira envernizada e etc. Depois o arquiteto transforma isso em uma planta, e começa a planejar a construção. Tudo isso se faz antes de tocar o solo. Evitando erros para que você não precise gastar uma fortuna fazendo modificações mais tarde. A regra do carpinteiro é "meça duas vezes, corte uma". Você precisa ter certeza de que a planta, a primeira criação, é realmente o que deseja, e que pensou em todos os detalhes. Diariamente você comparece ao local da obra, abre a planta, para ver se ta tudo nos conformes.
Se você dá tanta importância na perfeita construção de sua casa, mais importância ainda você deve dar a construção de sua vida.

1. SOMOS A CASA DE DEUS

“também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual...”
1Pe 2.5

Em suas epistolas, Paulo recorre diversas vezes à comparação com o trabalho de edificação. Ele apresenta os cristãos como edifício ou templo de Deus “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”1Co 3,16. Ele descreve a vida espiritual dos crentes como uma construção em andamento (Ef 4,29; 1Ts 5,11).
Paulo adverte os crentes ao não profanarem o templo de Deus com ações pecaminosas, quando diz: 1 Corintians 6:18-20 18 Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. 19 Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? 20 Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo. E isso é destruir o templo de Deus conforme 1Co 3,17.
Assim como a glória de Deus habitava o tabernáculo no deserto e no templo posteriormente, Deus habitava em Cristo, quer e habita em nós.


2. EDIFICANDO POR INTERMÉDIO DA PALAVRA

Nossa planta, o projeto da construção de nossas vidas é a Palavra de Deus. “Agora, pois, encomendo-vos ao Senhor e à palavra da sua graça, que tem poder para vos edificar” (At 20,32).
No Antigo Testamento, Êxodo 38 em diante, o assunto central deste texto é a obra de construção do Tabernáculo. O que é importante, no entanto, é que uma expressão aparece constantemente, encerrando cada trecho do texto:

“tudo quanto o SENHOR tinha ordenado a Moisés.”
Ex 38,22

Acompanhando um pouco o texto, veremos depois de alguns versículos que descrevem as contas referentes aos tesouros doados para a obra do tabernáculo, começam a ser citados os nomes dos envolvidos na obra, quando então temos a primeira aparição da expressão, que considero importante: “tudo quanto o SENHOR tinha ordenado a Moisés.” Daí começa a ser uma constante. A expressão acompanha todo o restante do livro de Êxodo, aparecendo num total de dezenove vezes.
Qual seria a mensagem dessa repetição desta frase. A repetição deve no mínimo despertar nossa atenção, incutindo-nos a consciência profunda de uma verdade que ocupa papel central na construção do tabernáculo. Que “tudo quanto o SENHOR tinha ordenado a Moisés.”
Segundo os sábios judeus antigos, a exigência da construção de lugar de adoração partiu do próprio povo. Queriam expressar de forma adequada seus anseios religiosos. A razão exigia então que eles mesmo deveriam construir de sua própria forma. Mas Deus tem seus próprios termos de adoração, por isso ordenou: “Levantarás o tabernáculo segundo o modelo que te foi mostrado no monte” (Ex 26,30).


3. É BOM OBEDECER

Devemos entendera importância de se obedecer a Palavra de Deus para construir nossas vidas. O homem utiliza sua razão para criar valores dos quais ele mesmo carece. Nossa cegueira moral e espiritual nos leva a criar padrões que nos destrói. Porque somos egoístas, vaidosos, orgulhosos, ambiciosos e imorais.
Por acaso não vimos, gerações após gerações, a decadência de valores que tiveram seu momento de glória e depois se mostrou falida. Nos enganamos com a crença que através de nossa razão ou intelectualidade podemos elevar o espírito.Veja o caso de Augusto Conte entre outros. O homem deve saber que sua redenção e crescimento espiritual só são possíveis através de valores que o transcendem, que vem de Deus, o transcendente. O conto do ignorante na farmácia: o homem se assemelha ao ignorante formulando suas poções na farmácia: ele se baseia apenas em sua lógica, sem conhecer adequadamente o corpo humano, a natureza das enfermidades e as qualidades das drogas medicinais, e ainda, sem ter noção das quantidades e dosagens adequadas.
Os construtores do tabernáculo foram sábios. Dezenove vezes aparece eles obedecendo o projeto, tudo quanto o SENHOR tinha ordenado a Moisés.

4. SEGUINDO UM PLANEJAMENTO

2 Pedro 1:2-8 2 graça e paz vos sejam multiplicadas, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor. 3 Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, 4 pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo, 5 por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; 6 com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; 7 com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor. 8 Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.

Sábado, Outubro 03, 2009

FÉ QUE CAMINHA PARA OBEDIÊNCIA


A fé sem obras é morta.
Poderíamos estudar uma série de personagens bíblicos que ilustram uma fé obediente, mas não posso pensar em nenhum exemplo melhor do que Noé. É o clássico supremo de crença em Deus, dos que dizem: "Tenho fé e vou fazer algo que prove isso". Noé deu um passo além dos exemplos anteriores de fé, Abel e Enoque. 0 relato de Abel mostra-nos a adoração a Deus. O relato de Enoque mostra-nos o andar com Deus. E o relato de Noé mostra-nos o que obedeceu a Deus. Noé adorava, andava e obedecia. A fé e a obediência de Noé vão tão além do raciocínio humano que à mente normal nem faz sentido. A não ser que um homem conhecesse a Deus e tivesse alguma forma de percepção espiritual, seria um louco ao fazer o que Noé fez. Noé não podia ver nada além de sua própria confiança em Deus, mas isso bastava.

Obedeça a Palavra de Deus. “Pela fé Noé, divinamente instruído acerca de coisas que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa..." (Hebreus 11:7). Ele creu em Deus a ponto de construir uma arca. À primeira vista poderia parecer que Noé era um tanto tolo. Por que fez o que fez? Porque Deus ordenou, dizendo: "Noé, vou julgar o mundo e destruí-lo pela água. É melhor você construir um barco". Assim, Noé deixou tudo e passou mais de cem anos obedecendo o mandado de Deus.
Não sei o que você faria, mas depois de alguns anos, eu começaria a me preocupar se realmente isso aconteceria ou não. Se foi quem falou mesmo, ou se foi esquizofrenia minha. Hoje somos muito imediatista e ansiosos por acontecimento. Imagine no caso de Noé, vivia na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, centenas de quilômetros longe de qualquer oceano. Mas isso é fé que responde à Palavra de Deus. E a fé madura não questiona - obedece.
Noé era um ser humano, como nós. Tinha muitas coisas que poderiam preencher o tempo. Usar tão grande tempo de vida para construir um enorme barco exigia certa dedicação. Ele escutou Deus, e despendeu sua vida obedecendo ao que Deus lhe ordenara. Não é de se surpreender? Uma coisa seria sair e conseguir a madeira toda, mas outra coisa bem diferente era vê-lo, cem anos mais tarde, ainda passando piche na barca. Alguns de nós crêem em Deus, apressamo-nos em começar, mas paramos mais adiante. Não continuamos. Noé continuou em sua obediência. Jesus disse que esta seria a marca de um verdadeiro filho Seu (conforme João 8:31).

Um dos maiores atos de obediência da humanidade ocorreu quando Noé estendeu seu braço e cortou aquela primeira árvore.

Previsão do Tempo: Chuva - "Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terra para consumir toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus: tudo o que há na terra perecerá" (Gênesis 6:17). Deveria ser difícil para Noé compreender, pois ele não tinha nenhuma idéia do que era uma chuva. Não tinha ainda chovido sobre a terra (Gênesis 2:5). Uma neblina subia da terra, aguando-a. Assim também não havia desertos.
Alguns cientistas acreditam que toda a terra estava revestida de um toldo aquoso, e era essa a condição que capacitava os homens a viverem vidas tão longas. Os raios solares nocivos não penetravam este vapor e assim o processo de deteriorização era muito mais lento. Mas depois do Dilúvio - com o rompimento das fontes do abismo e a queda de toda aquela água antes armazenada acima da terra (Gênesis 7:11) - essa transformação repentina e dramática da atmosfera resultou num encurtamento imediato do período de vida do homem.

Nenhum Convertido - O Dilúvio de que Deus falou a Noé ainda estava para acontecer - depois de 120 anos (Gênesis 6:3). Noé poderia facilmente ter racionalizado dizendo: "Bem, isso dá ao povo muito tempo para se arrepender e se reformar. É certo que vão endireitar até lá." Mas o que é que Noé fez durante todos esses anos? Ele pregou. Todos os dias ele pregava, mas ninguém acreditava nele. Como pregador, eu mesmo sei como isso deveria ser difícil de se aceitar. No entanto, Noé continuou a transmitir a mensagem. Você pode bem imaginar o que este homem de obediência deve ter aturado ao instar e pregar. As pessoas que passavam apontavam para ele, pondo um dedo nas cabeças e dizendo "Lá vai aquele Noé biruta".

Obediência Total - Mas Noé era um homem obediente, e assim começou a construção. "Assim fez Noé, consoante a tudo o que Deus lhe ordenara" (v.22). Tão diferente da maioria de nós. Deus nos diz: "Quero que você assuma este ministério, ou alcance aquela pessoa ali, ou quero que você confie em mim quanto à provação pela qual está passando". Se é tão fácil falharmos na obediência a Deus nestas situações, imagine para a construção de uma arca. Dizemos crer, mas nossa fé é minúscula em relação à de Noé. E alguns de nós perdem a paciência muito rapidamente. Obedecemos por uma semana. Noé obedeceu por 120 anos. Tintim por tintim, sem escolher os pontos com que concordava. Algumas pessoas querem crer em Deus a respeito das promessas, mas não no que concerne ao juízo, mas devemos crer em ambos igualmente.

A Motivação da Obediência. Por maior que fosse o exemplo de Noé, não poderíamos deixar o assunto de obediência sem completá-lo com um conceito do Novo Testamento. Isto aperfeiçoará a nossa compreensão da obediência como chave para o crescimento. Lembre-se de que a forma pela qual se percebe se uma pessoa é ou não genuinamente cristã é pela medida da obediência. Mas qual a força motivadora dessa obediência? Que espécie de obediência é essa? Vejamos o que podemos descobrir no livro de I João. "Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele verdadeiramente tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele"(I João 2:5) e também, "Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos" (2:3). A palavra "guardamos" leva consigo a idéia de obediência vigilante, observadora. Mas não é uma obediência ligada à pressão ou força. Não dizemos: "Bem, eu tenho que obedecer porque se não o fizer serei aniquilado por um martelo divino". Não é nada disso. É mais como: "Estou ansioso por fazer isso!"

Duas Espécies de Obediência. E se procuramos ser obedientes, mas falhamos, somos condenados? Temos que distinguir entre obediência legal e obediência graciosa. A obediência legal exige obediência absoluta, perfeita, sem falha alguma. Se uma vez a lei for violada - morte! É essa a dor e a falha da obediência legal.
Mas existe a obediência graciosa, onde as próprias palavras têm um som melhor. A obediência graciosa pertence à aliança da graça. É um espírito amoroso e sincero de obediência que, embora repleta de defeitos, é aceita por Deus, pois suas máculas são apagadas pelo sangue de Jesus Cristo.
Percebe a diferença? Na aliança da graça, Deus olha o coração, não as obras. Fico contente com isso — e você? Se Deus me julgasse pela obediência legal, eu passaria a eternidade no inferno. Mas somos abençoados por nos encontrarmos deste lado da cruz. Jesus morreu para que Seu sangue cuidasse dos defeitos da obediência. É muito melhor estar sob a obediência graciosa do que sob a obediência à lei.
O Desejo do Coração. Para que ninguém se engane, permita-me outra ilustração. Será que os discípulos, sempre - sempre mesmo – obedeceram legalmente a Deus? É claro que não. Pedro, por exemplo, ou Tiago ou João. Todos falharam para com o Senhor e cometeram erros, pois eram homens pecadores. No entanto, Jesus pôde dizer ao Pai "...eles têm guardado a tua palavra" (João 17:6). Será que eles tinham mesmo guardado a palavra de Deus consistentemente? Eles próprios teriam ficado vermelhos com a idéia. Será que Jesus os media com a obediência absoluta, da lei mosaica, ou Ele media o espírito obediente? Nós sabemos a resposta — suas propensões, desejos e determinações em se submeterem a Jesus Cristo — era isso que Jesus media, e Ele cobriu os defeitos com Seu sangue derramado.
Deus não espera perfeição absoluta. Se você fizer alguma coisa errada ou tiver alguma falha, Ele não diz que você está acabado e não é mais cristão. Não, pois Deus olha para o jorrar constante de um coração que tem em si o espírito de obediência. O verdadeiro cristão tem o desejo de se submeter a Jesus Cristo mesmo que nem sempre ele consiga cumprir o desejado. Mas Deus lê por trás das meras ações e o aceita. Tal obediência não se baseia na lei, mas no amor; não no temor mas na amizade. Vários versículos de João destacam isso. Quando Jesus falou que voltaria ao céu, Ele não disse: "Guardem os meus mandamentos -senão..." Ele disse: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama..." (João 14:21). Assim, obedecemos, não por temor, mas por amor.
Os não cristãos não podem entender essa espécie de obediência. Em vez de se submeterem ao senhorio de Cristo, eles procuram fazer sobressair suas próprias justiças, e com isso estão se condenando sob a obediência legal. "No tocante a Deus, professam conhecê-lo, entretanto o negam por suas obras..." (Tito 1:16). Professam, mas, ao contrário de Noé, suas obras não os comprovam. No Juízo do Grande Trono Branco muitas pessoas dirão: "Senhor, não fizemos muitas obras maravilhosas em teu nome? " Mas Jesus responderá: "Apartai-vos de mim. Eu não vos conheço". Não existe verdadeiro conhecimento de Cristo que não resulte num espírito de obediência graciosa.

O Molde da Obediência. Temos, portanto, o princípio de que é possível identificar-se o cristão pela sua obediência. Agora, vejamos o molde da obediência. Por molde quero dizer algo sobre o qual você pode colocar a sua vida, para traçá-la sobre as mesmas linhas. 1 João 2:6 nos diz que: "Aquele que diz que permanece nEle, esse deve também andar assim como Ele andou". Compreendemos permanece como conhecer a Cristo, andar na luz, estar em comunhão, termos indicativos da salvação. A questão é que se nos declaramos cristãos, devemos ser como Jesus. Talvez você diga: "Já era difícil ter que guardar os Seus mandamentos. Agora temos que ser como Ele. Eu não consigo!" O versículo não diz que seremos exatamente como Ele, mas que deveremos ser como Ele. Cristo é nosso modelo e molde. Devemos conduzir-nos à semelhança de Cristo. Viver como Ele viveu. A obediência nos conduz à maior semelhança com Cristo.
Tomemos alguns exemplos específicos. Filipenses 2:8 fala-nos a respeito de Jesus: "e reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz". Jesus tinha a forma de Deus, mas não insistiu em guardar essa glória, esse privilégio. Ele voluntariamente deixou de lado essa glória para vir ao mundo, humilhando-se. É o maior exemplo de humildade que já houve. E é esse o nosso molde. Note que esta passagem fala também sobre a obediência de Cristo. Nosso Senhor foi obediente em todas as coisas. Pagou seus impostos. Obedeceu à risca a lei mosaica. Obedeceu a lei cerimonial. Obedeceu as determinações divinas de sua messianidade. O Evangelho de João deixa bem claro essa questão. Jesus disse: "Porque eu desci do céu não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou." (João 6:38). Todo seu espírito era de obediência.
Mais uma vez: "...Aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada" (João 8:29). E em João 14:31: "...faço como o Pai me ordenou". Mais uma vez: obediência. Cristo deu o modelo. Sua obediência em amor torna-se, portanto, aquilo sobre o qual deveremos traçar nossas vidas.
Essa espécie de obediência caracterizava o nosso bendito Senhor e deverá caracterizar-nos também.
Mesmo que você não perceba, as pessoas estão observando a sua vida o tempo todo. Estão ouvindo o sermão proclamado através da sua vida. "Assim fez Noé consoante a tudo o que Deus lhe ordenara" (Gênesis 6:22). Será que poderão dizer o mesmo de você? Você cresce para ser como Cristo enquanto obedece.

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

A GLÓRIA DE DEUS: O fundamento do crescimento espiritual

Ninguém que se preste a fazer um bolo ignora os ingredientes necessários e quantidade certa, para que o bolo se desenvolva no forno e tenha um ótimo sabor. Na vida cristã, da mesma forma, não se pode ignorar os fundamentos básicos para construir a maturidade ou crescimento espiritual. E, um desses fundamentos básicos, que tem sido negligenciado, mas que é de fundamental importância para crescer espiritualmente, ou que revela se o crente é maduro é se ele tem uma vida que glorifique a Deus. A coisa mais importante na vida de um homem ou de uma mulher de Deus é glorificar a Deus. É nisto que consiste o viver. É o resultado final da vida cristã. E Maturidade espiritual simplesmente passa pela focalização na Pessoa de Deus até que nos vemos tomados por Sua majestade e glória. Como num bolo, se ao fazê-lo, você deixa um ingrediente de lado pode comprometer a qualidade do bolo, na vida cristã, se falta o glorificar a Deus, você estar em sérios riscos espirituais.

1. POR QUE GLORIFICAR A DEUS?

Vejamos rapidamente o porquê antes de sabermos como. A razão mais óbvia pela qual devemos glorificar a Deus é porque Ele nos criou. O Salmo 100 diz simplesmente: "Foi ele quem nos fez" (v.3). Compare isto com Romanos 11:36: "Porque dele, por meio dele, e para ele são todas as cousas. A glória pois, a ele eternamente. Amém". Por que Deus merece glória? Porque ele nos deu nossa existência, nossa vida e tudo que existe — esta é a primeira razão.
Segundo, devemos glorificar a Deus porque Ele fez todas as coisas para render-Lhe glória. Provérbios 16:4 diz: "O Senhor fez tudo para um fim". Fez todas as coisas para que falem de Sua glória, para que irradiem Sua glória — tudo. A Criação demonstra os Seus atributos, Seu poder, Seu amor, Sua misericórdia, Sua sabedoria, Sua graça. E toda a Criação rende glória a Ele. As estrelas - "Os céus declaram a glória de Deus..." (Salmo 19:1). Os animais - "O animais do campo me honrarão..." (Isaías 43:20). Os anjos - por ocasião do nascimento de Cristo os anjos cantaram "Glória a Deus nas alturas..." (Lucas 2:14). Se as coisas abaixo do homem na ordem da Criação glorificam a Deus, poderemos fazer menos do que dar a glória devida ao Seu nome?
Deus recebe glória até dos incrédulos que não escolheram glorificá-lo. Podemos dar como terceira razão pela qual é necessário glorificá-lo o fato que Deus julga aqueles que se recusam a glorificá-lo. Temos um bom exemplo disso no caso do Faraó do Egito, na época em que Deus libertou Seus filhos da escravidão. Esse homem lutou contra Deus com todas as suas forças. Mas Deus declarou: "glorificar-me-ei em Faraó..." (Êxodo 14:17). E assim o fez. Mais cedo ou mais tarde, todos darão glória a Deus, voluntária ou involuntariamente - Filipenses 2:10-11 “Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o SENHOR, para glória de Deus Pai”.

2. COMO GLORIFICAR A DEUS.

Deus merece glória, não apenas através da nossa adoração, mas por meio do que fazemos todos os dias. A bíblia cita alguns exemplos:
1. Deus é glorificado quando damos “muito fruto”, quando exibimos um caráter cristão (Jo 15,8) – “Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto”.
2. Deus é glorificado quando fazemos boas obras, eu seja, quando aplicamos as verdades bíblicas às situações cotidianas (Mt 5,16) – “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos cues”.
3. Deus é glorificado através de nossa correta conduta sexual (1Co 6,18-20) – “Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo. Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo”.
4. Deus é glorificado quando confessamos nossos pecados (Js 7,19) – “Então, disse Josué a Acã: Filho meu, dá glória ao SENHOR, Deus de Israel, e a ele rende louvores; e declara-me, agora, o que fizeste; não mo ocultes”.
5. Deus é glorificado quando vivemos pela fé e não pela incredulidade (Rm 4,19-21) – “E, sem enfraquecer na fé, embora levasse em conta o seu próprio corpo amortecido, sendo já de cem anos, e a idade avançada de Sara, não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera”.
6. Deus é glorificado quando proclamamos sua Palavra (2Ts 3,1) – “Finalmente, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada, como também está acontecendo entre vós”.
7. Deus é glorificado quando invocamos a sua glória em nosso sofrimento (1Pe 4,14-16) – “Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus. Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome”.
8. Deus é glorificado quando fazemos sua vontade (Jo 17,4) – “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer”.
9. Deus é glorificado quando manifestamos o caráter de Cristo (Rm 15,6) – “Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus”.

3. A GLÓRIA DE DEUS TRANSFORMA-NOS

Ao passo que fitamos a Deus e andamos com Ele, recebemos de sua glória e somos transformados a cada dia, de glória em glória. Veja o caso de Moisés, descrito em Ex 34,30ss e compare com 2Co 3,18. O efeito transformador deste ultimo texto é o mesmo descrito em Mt 17,2 da transfiguração de Jesus.

Se você quiser crescer espiritualmente e ser transformado, segundo a imagem de Jesus, submeta sua vida para a glória de Deus e deixe que a luz da sua glória irradie em sua vida.
Reveja sua vida, seus compromissos e planeje fazer coisas que redunda em glória a Deus. Você pode glorificá-lo de várias formas, vivendo os princípios bíblicos ao trabalhar, ao estudar, nas atitudes com a família, vizinhos e etc.

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Se teus olhos forem luz...

De vez em quando, ouço pessoas dizer:

"Não dá para trabalhar nesta empresa, o pessoal aqui é muito estranho, muito complicado, são todos uns egoístas".

Aí eu me lembro de uma lenda...

Certa vez, um jovem chegou à beira de um oásis, junto a um povoado e, aproximando-se de um velho, perguntou-lhe:
- Que tipo de pessoas vive neste lugar?
- Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem, perguntou por sua vez o ancião?
Oh! Um grupo de egoístas e malvados - replicou-lhe o rapaz – estou satisfeito de haver saído de lá.
A isso o velho replicou:
- A mesma coisa você haverá de encontrar por aqui.

No mesmo dia, outro jovem se acercou do oásis para beber água e vendo o ancião perguntou-lhe:

- Que tipo de pessoas vive por aqui?
O velho respondeu com a mesma pergunta:
- Que tipo de pessoas vive no lugar de onde você vem?
O rapaz respondeu:
- Um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras - fiquei muito triste por ter de deixá-las.
- O mesmo encontrará por aqui, respondeu o ancião.

Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho:
- Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta?
Ao que o velho respondeu:
- Cada um carrega no seu coração o meio ambiente em que vive.
Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou, não poderá encontrar outra coisa por aqui.
Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui.
Somos todos viajantes no tempo e o futuro de cada um de nós está escrito no passado.

Ou seja, cada um encontra na vida exatamente aquilo que traz dentro de si mesmo.

(autor desconhecido)

E você, está criando o seu ambiente????

Quinta-feira, Março 26, 2009

DIETRICH BONHOEFFER (1906-1945).

Pastor e teólogo alemão, cuja vida e legado têm exercido uma influência mundial sobre o pensamento teológico e a imaginação, piedade e prática cristãs na era da Segunda Guerra Mundial. Ótimo estudante, um dos oito filhos na família de um psiquiatra de destaque na Universidade de Berlim. Com dezesseis anos, decide tornar-se pastor e, no outono de 1923, ingressa na Universidade. Bonhoeffer recebeu seu doutorado de teologia da Universidade de Berlim com (pasmem) vinte e um anos (1927). Foi pastor da Igreja Luterana na Alemanha e, também fora do país. Bonhoeffer sempre e em toda parte fez-se admirar por sua nobreza de espírito e conduta.
Alguns acontecimentos marcam definitivamente sua vida. Em 1933 Adolf Hitler sobe ao poder, logo depois a Igreja evangélica oficial dos cristãos alemães adota a ideologia da nacional-socialista, partido nazista de Hitler. Bonhoeffer demonstra desde o início a sua discordância das teorias hitlerianas. Numa palestra radiofônica critica ao povo alemão pela adesão irrefletida às propostas de Hitler. Por perseguição e proibição em ministrar aulas nas universidades alemães aceita ao pastorado de duas igrejas em Londres.
Fruto desse período, Bonhoeffer entende os tempos e os desafios à fé, e assim redige duas obras de espiritualidade: Nachfolge (imitação), que em português é publicado com o título Discipulado e; Gemeinsames Leben (Vida Comunitária).
Mas, em 1939 decide voltar à Alemanha e ser solidário ao perseguidos do regime nazista, acaba ingressando nos movimentos de Resistência: “Não só é meu dever ocupar-me das vítimas deixadas no chão por um louco que dirige desvairadamente um carro por uma estrada abarrotada, mas também fazer de tudo para impedi-lo de dirigir”. Sua atividade no seio da resistência política e militar, todavia não o impede de continuar a exercer na sua Igreja um ministério autenticamente espiritual.
Em 5 de abril de 1943, é preso em Berlim. Mesmo preso desenvolve uma atividade muito intensa. Dá assistência ao seus companheiros de prisão, levantando a moral deles e comentando a bíblia. E escreve muito. Termina de redigir um livro, Ética, e varias cartas, que depois foram unidas e publicadas com o título Resistência e Submissão. Depois de julgado e condenado, no dia 9 de abril foi enforcado. Estava com 39 anos.
Além da vida, os escrito sobre espiritualidade de Bonhoeffer é um marco no pensamento cristão contemporâneo. Na prisão, estava em contato com pessoas bem diferentes dos seus alunos de seminário. Gente do mundo, cientistas, literatos, artistas, militares, homens sem fé, que ridicularizavam o Evangelho e a religião crista. Essa gente colocou para Bonhoeffer o problema da comunicação da mensagem cristã. Sua fé não se abalou, porém se convenceu de que não se pode mais defendê-la com argumentos tradicionais. Não se pode mais basear o cristianismo nos instintos religiosos. Ao contrario, para falar de Cristo hoje é preciso partir das categorias a-religiosas, que refletem a autocompreensão que o homem moderno tem de si mesmo. Para esse homem a-religioso, o Evangelho deve ser expresso em toda sua pureza, como salvação de todo o homem (não só da alma) e de toda a realidade. Para Bonhoeffer o maior traço que caracteriza seu pensamento é a imitação de Cristo: “Jesus Cristo é o centro, é a força da bíblia, da Igreja, da teologia e também da humanidade, da razão, da justiça e da cultura. Tudo deve retornar a ele e só sob a sua proteção pode viver” (Ética).
Muito temos que aprender com este homem, que viveu a sua vida de acordo com a essência do Evangelho, Cristo.

Música e Espiritualidade

Por meio de um novo tipo de música, Elvis Presley, nos EUA, e os Beatles, na Inglaterra, lideraram uma das revoluções do século passado em termos de vestiário, estilo, valores e comportamentos. Entre outras razoes, os jovens os adoravam porque seus pais não gostavam deles. Foi um momento em que um antigo sistema de valores começava a ser contestado, cedendo espaço a um novo sistema cultural que dava maior poder e capacidade de expressão aos anseios dos jovens. Hoje, os ídolos do rock tornaram-se estrelas internacionais que dão espetáculos para grupos enormes de jovens. Sua chegada num país é freqüentemente mais divulgada que a chegada de chefes de estado estrangeiro.
Pelo fato de os jovens terem poderes limitados, eles dependem de outros; os adultos é que sempre os controlam. O poder sempre esteve com os pais e mães, com professores, com aqueles que tem autoridade. Mas agora, eles estão começando uma jornada da dependência para a independência. Um dos elementos centrais na cultura jovem é a procura por espaços livres onde os jovens possam ter controle, sentir-se livres, estar com amigos ou em grupos que sintam-se socialmente aceitos e livres da supervisão e controle dos adultos. A música jovem possibilita que haja esses “espaços livres”. Neste sentido, a música se revela como um poderoso meio de afirmação da identidade do jovem por contraposição e distinção em relação à identidade e ao “mundo dos adultos”. Esta distinção é tornada possível (entre outros fatores) por meio do estilo musical. Muitas “músicas jovens” são incompreensíveis para os adultos, sendo em muitos casos considerada muito barulhenta para eles.
As canções que encontram forte apelo e identificação junto à juventude tornam-se, assim, “espaços livres” e veículos de expressões das aspirações, sentimentos, buscas e conflitos dos jovens. Tais espaços são muito importantes para os jovens procurarem soluções para suas crises e desenvolverem sua personalidade. Os efeitos, é claro, podem também ser negativos, depende dos valores, das atitudes e dos modelos cultivados neste processo de construção da própria identidade, nas expressões culturais, musicais etc.
Assim, a música pode e deve ser valorizada e integrada positivamente no processo de espiritualização, como bem sugere Paulo: “enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao SENHOR com hinos e cânticos espirituais...” (Ef 5, 18-20). A música de grupos direcionados aos jovens, também, oferece à juventude satisfação imediata em contraste com sacrifícios e as restrições do mundo adulto. E neste “mundo jovem”, eles necessitarão alcançar um equilíbrio e um relacionamento maduro em relação a outros jovens para poderem resolver os problemas de seus relacionamentos com os adultos.
Entretanto, os ritmos e letras não são tudo neste mundo jovem. Assim como as canções e melodias, são também de grande relevância, os movimentos, o modo de se vestir, os penteados e os estilos que são criados. Ao menos em certos aspectos, a cultura jovem pode ser classificada de contracultura, uma vez que ela questiona os valores da cultura dominante da qual eles fazem parte. Os cantores, não evangélicos, usam símbolos ligados ao romantismo, ao sexo, à violência etc. os valores adultos são freqüentemente rejeitados, abrindo-se um espaço para o jovem se auto-afirmar, construindo uma identidade que lhe seja própria (que o mundo adulto chamou de rebeldia sem causa). Apesar das ambigüidades, deste fenômeno de identificação através da música, muitas coisas se pode tomar como positivo e exemplar. Nos anos 1980 e 1990, emerge um novo fenômeno. Festivais de rock são organizados para apoiar causas sociais, como por exemplo, o combate à fome em alguns países da África, pela anistia internacional e a luta pela libertação do líder sul-africano Nelson Mandela. No começo do anos 90, o jornal The New York Times publicou um artigo de duas páginas intitulado “O rock encontra a religião novamente”. Embora as canções não incitem as pessoas a voltarem para a Igreja, elas parecem dizer que, em uma sociedade que perdeu seus parâmetros morais, o único recurso é ter uma vida de devoção a Deus. Um bom número de artistas do mundo da música agem como críticos sociais (U2 e Nação Zumbi são alguns exemplos), assumindo posturas proféticas diante de certas situações sociais e políticas.
A música pode ser uma poderosa ferramenta para o exercício da espiritualidade entre os jovens, se tal musica for veículo da Palavra de Deus e de oração cantada, como os salmos. A música não pode ser um fim em si mesmo, mas sim um meio eficaz que colabore a experimentar Cristo.

Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

O Espírito Santo Anima a Igreja

Ezequiel 37, 1-14


Os ossos que hoje estão no cemitério um dia foi um ser humano que nasceu e foi amado, cresceu no seio de uma família, amou e foi amado, enfim pessoas que estavam cheias de vida... mas agora, esses ossos, secos, sem vida é o espelho de uma sociedade morta, de uma igreja abatida, sem esperança, de irmãos com suas vidas despedaçadas.

1. O pecado é a causa da morte (v.1-3)

Na vida de Israel o pecado é a causa do julgamento inevitável e terrível. Por causa de seu pecado sua nação foi tomada, destruída, incendiada e os sobreviventes escravizados no exílio... Na nossa vida não é diferente, quando erramos em nossas decisões, sem observar a Palavra de Deus, quando pecamos, acontece um amortecimento espiritual, nossa alma fica abatida, perdemos a formosura do rosto e como o Salmo relata, um abismo chama outro abismo, assim nas nossas vidas as dificuldades e as desgraças se acumulam.

2. A necessidade de se anunciar a Vida (v.4, 7,9)

a) No seio do desespero e da morte o atalaia e de suma importância, b) é ele quem profere a Palavra, comunica a Boa Nova do Senhor Jesus, suscitando vida, pois a Palavra é Espírito e vida, disse Jesus. A Palavra pregada pode devolver a esperança aos abatidos.

3. O ânimo que vem do Espírito (v.8ss)

A palavra ânimo tem dois bons significados, alegria e dar vida.

Os versos 8,9 destacam a importância da ação do Espírito de Deus sobre nós. “Olhei, e eis que havia tendões sobre eles, e cresceram as carnes, e se estendeu a pele sobre eles; mas não havia neles o espírito. Então, ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o SENHOR Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam”.
De nada adianta tudo estar no seu lugar, se não houver a ação do Espírito Santo, se não houver unção, se não houver poder. Assim, nossas igrejas não devem ser apenas organizações bem estruturadas, com belos métodos e estratégias. Isso é bom, mas não é suficiente. Não podemos funcionar sem o poder do Espírito Santo, sem a unção dos céus.

Ezequiel profetizou avivamento para o vale de ossos secos. Avivamento é para aqueles que estão estressados, cansados, não conseguem mais ter uma vida cristã abundante, não oram mais, não ganham pessoas para Jesus, achando tudo na Igreja rotineiro e cansativo... O profeta Ezequiel viu pessoas que estavam nessa situação. Deus compara-as a um vale de ossos secos. Pessoas sem vida, sem entusiasmo, não experimentam mais a alegria da presença de Deus em suas vidas e se tornam meros crentes que vão aos cultos serem expectadores da liturgia. A Igreja sem animo não cresce mais, pois o povo se contenta com a mesmice.

Terça-feira, Junho 24, 2008

Devocional

Sem medo de ser feliz!

28 Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
29 Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
30 E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.
31 Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?
33 Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica.
34 Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.
35 Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?
36 Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro.
37 Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.
38 Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes,
39 nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.



(Rm 8,28-39)
No começo da minha caminhada cristã, ainda com os velhos costumes que a Palavra de Deus chama de velha natureza e velho homem, sofria muito nas lutas que tinha com desejos carnais. Meus pensamentos eram que nunca conseguiria vencer a carne e suas paixões e assim poderia ir para o inferno. Naquela época não entendia, e nem conhecia, a doutrina bíblica da perseverança dos santos. Até então pensava que a conservação da salvação dependia totalmente de mim, de minhas forças. Se assim fosse estava perdido.
Penso que esse deva ser o pensamento e o sofrimento de muitos crentes tementes a Deus. Esse foi o sofrimento de Paulo, quem nunca se identificou com o que ele diz em Romanos capítulo 7! Mas a carta aos Romanos não termina no capítulo 7, o argumento de Paulo é uma progressão revelativa. Paulo louva a Deus por Jesus Cristo, que condenou o pecado, nosso pecado e a natureza pecaminosa, na Sua carne (Rm 8,3), andamos desde então em novidade de vida (Rm 6,4), sendo agora guiados pelo Seu Espírito (8,14-16). Uma vez que Jesus é o responsável por toda essa obra de redenção, o próprio também se responsabiliza em não perder nenhum de nós (Jo 10,28-29) dando-nos a garantia de vida eterna.
O texto acima é um canto de vitória feita pelo apóstolo Paulo. Nesse canto é declara que a mão de Deus move-se para que todas as coisas cooperem com a nossa salvação. Somos vencedores neste sentido, não no sentido materialista como alguns pregadores andam defendendo, basta ler todo o contexto. O texto deixa claro que fomos predestinados a salvação e nada neste mundo nem fora dele pode frustar os planos que Deus tem proposto para nós "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito". Dai segue uma lista daquilo que poderia, repito, poderia, ser um entrave para nossa segurança quanto a salvação (versos 35-39).
E isso mesmo amado irmão, "Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou" vela por nós para que não venhamos a perecer. Lembra de Pedro? Jesus o revela algo extraordinário: "Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça" (Lc 22, 31 e 32). O mesmo serve para nós, o Senhor roga por nós (Rm 8,34), intercede junta ao Pai por mim e por você. Lei a oração de Jesus em João 17, ali é um exemplo do zelo que Jesus tem por nós ao orar ao Pai.
Amados, é verdade que no presente todos passamos por sofrimentos e gemidos. Nossa fé sofre ataques de todos os lados com o intuito de que nos faça desfalecer no caminho. Porém, somos sustentados pela esperança da glória. A esperança é futura, por isso é invisível e parece até irrealizável, mas nem por isso é incerta. Pelo contrário, nossa esperança cristã está solidamente firmada no inabalável amor de Deus. Sua vida está nas mãos do todo poderoso Deus, Ele te ama, e isso é o bastante para que você descanse nesta fé.
Enquanto isso sirvamos ao Senhor com temor e alegria!

Sexta-feira, Maio 30, 2008

Devocional

“Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus...”
(Hb 12:2)

Novos tempos, novos costumes. Nossa sociedade hodierna vive uma multiplicidade de valores, onde cada um escolhe seu modo de viver e ver o mundo. Não há mais verdade absoluta, não há mais o certo e o errado, a moral é uma palavra imoral. No meio desta sociedade se encontra a Igreja. A Igreja que deveria influenciar e ser luz em meio às trevas é agora influenciada pelo mundo. O que quero dizer é que o relativismo também tomou conta do pensamento dos cristãos. Diversas são as interpretações que se dá ao texto sagrado, pastores pregam mensagens diferentes, conforme a conveniência. Cada crente vive sua fé baseada em experiências pessoais subjetivas, e interpreta a bíblia segundo essas experiências – o correto seria examinar a experiência segundo a luz da Palavra do Senhor.

Com isso ocorrendo no meio cristão, observamos o porquê tantas pessoas vivem tão mal. Vidas caracterizadas pela mediocridade. Há pouco que admirar e menos ainda imitar nas pessoas que se destacam em nossa cultura. Temos celebridades, mas não temos santos. Sucesso, hoje, está diretamente ligado à acumulação de riquezas materiais. Homens e mulheres se destacam na vida profissional à custa de esforços sobre humanos, sacrificando suas famílias e bons momentos da vida. Não é mais segredo que muitos destes vivem uma vida desgraçada emocionalmente.
Mas é claro que não estou exigindo um homem ou uma mulher perfeitos, morreria e não encontraria. Quando procuro até mesmo na bíblia não achamos facilmente esse ser humano perfeito. Nossos heróis bíblicos não eram campeões da virtude como esperamos. Abraão mentiu, Jacó enganou, Moisés assassinou, Davi cometeu adultério e assassinou e Pedro blasfemou. Isso é para nos mostrar que esses homens, homens de Deus, foram moldados no mesmo barro que nós e assim ensina que não devemos cultuar heróis.

Ao passo que a bíblia não esconde os erros do homens, ela exalta o ser de Deus. E Jesus é a manifestação viva e real desse Deus. E é nas Escrituras que encontramos qual o fim de seguir as pegadas dos homens e o fim, maravilhoso, de seguir as pegadas de Jesus. A associação com Cristo deve ser nosso alvo. Com Jesus encontramos o modelo de sucesso, uma vida pautada pela excelência, resultado de obediência e fé. É impressionante o ensino e a vida de Jesus. Uma vida interessada mais por Deus do que por si mesmo, sem traços de orgulho, rica em altruísmo e estimulante.

Vivemos numa sociedade que procura nos rebaixar ao nível de formigas - ou de gafanhotos usando a linguagem bíblica – fazendo com que no apressemos em consumir tudo que a sociedade cria para nos entupir os sentidos espirituais. Jesus viveu na contra mão, foi um ser humano de visão ampla, de enorme estatura espiritual e enfrentou todas as dificuldades na dimensão da fé.
Da mesma forma nós deveríamos viver imitando Jesus e viver insatisfeitos com qualquer coisa que não fosse excelência de Cristo. Jesus é a representação real e única que nos mostra como qualquer um de nós pode viver sendo obediente e ter fé em Deus.

Segunda-feira, Maio 26, 2008

Devocional

Persevere e Vença!
Se você pensa que irá continuamente acumular vitória sobre vitória, você não está sendo realista. Sempre virão os desapontamentos em meio a sua jornada. Sucesso, porém, consiste na sua habilidade de rapidamente recuperar as perdas e seguir em frente na busca de um novo alvo. Em tudo que você tentar realizar esteja certo de que irá enfrentar algum tipo de retrocesso. Mas não permita que o retrocesso paralise sua caminhada. Faz sentido aumentar as perdas ao se permitir ser paralisado por elas? Obviamente que não. Aprenda com a sua perda; sim, você pode, na grande maioria das vezes, aprender muito mais com as suas perdas e derrotas do que com as suas vitórias. Após a lição aprendida, siga em frente com determinação e confiança. Quando alguém lhe diz “não”, isso se transforma em um passo à frente rumo ao sucesso. Polidamente agradeça e vá bater em outra porta. Quando um acerto de negócio fracassa, vá para outra oportunidade com uma determinação ainda maior. Com os seus pensamentos, convicções e completa submissão a Deus, simplesmente não existe derrota duradoura.

Saiba, porém, que ninguém pode ganhar todos os jogos. Mas qualquer pessoa pode ser uma vencedora simplesmente ao se recusar ser barrada pela derrota (Nélio DaSilva).

“Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou”.
Romanos 8.37
Fonte: Portal Lidere

Sexta-feira, Março 14, 2008

Devocional

A fé que nos inspira
Inspiração é uma palavra que saiu do meio biológico e vagueia no meio empresarial. Liderança inspiradora, inspiração para inovar, equipe inspirada, inspirando idéias etc... são os jargões mais usados. Segundo o dicionário inspirar não é só introduzir ar nos pulmões, mas também estimular a capacidade criativa de alguém, influenciar ou ser influenciado, modelar (-se), infundir sentimentos ou pensamentos. Inspiração é um entusiasmo criador. Estes últimos significados são grandemente explorados nas empresas em palestras motivacionais.
Na bíblia inspiração é um ato divino, quando Deus concede vida ao ser humano e animais. Ao soprar nas narinas de Adão, que até então era somente uma espécie de boneco de barro, este recebe a vida. Assim o homem é dependente de Deus, no tocante à sua vida, pois o fôlego deste vem de Deus, se lhes tiras o fôlego, morrem, e voltam ao pó (Sl 104,29).
Segundo as Sagradas Escrituras esta vida, inspirada, é aquilo que se move (Sl 69,34; Jo 3,8), o ideal da vida era o envolvimento ativo como o Espírito de Deus. A vida é associada com a luz, com a alegria, bem estar, com a plenitude, com a ordem e com o ser ativo (Pv 2,19; Sl 27,1; 56,13; Ml 2,9; Jó 33,25), constratando com as trevas, com a tristeza, com a vaidade e com o caos que são características dos seres mortos e inanimados (Ec 11,8; Sl 115,17).
Logo, vemos que esta vida não se refere somente à vida biológica, mas principalmente a vida extasiante e escatológica. Uma vida que olha para o adiante, o futuro. Em outras palavras quer dizer uma vida cheia de esperanças e alegrias, regada às promessas divinas.
Este entendimento é muito importante, visto que o pecado mortifica o homem. O pecado escraviza nas trevas, na tristeza, desesperança. Quem não tem essa vida não é inspirado para sonhar, amar, construir verdadeiras amizades. Os mortos de inspiração são espectadores na platéia e não tomam o palco e dirigem a peça de suas vidas, não fazem suas histórias. Para muitas pessoas a imagem daqueles corpos sepultados no seminário São João Batista é espelho de suas existências.
Jesus nos dá a oportunidade de viver esta dimensão plena da vida. Ele veio nos dá vida, vida abundante (Jo 10,10). Essa vida é recebida pela fé e se expressa na prática do amor e na alegria. A vida ao qual recebemos do Senhor nos leva a repartir a vida com nossos irmãos e nos faz co-participantes da missão de Cristo para o mundo.
Claro que quem recebe desta vida, inspirada, sofre intempéries, mas estes momentos são para nos levar a uma experiência com Deus, de experimentar sua graça e gozar de seu favor.Se você está vivendo uma vida medíocre, triste, desesperançada, está sem animo ou força para enfrentar seus problemas, tome posse pela fé da vida que Jesus conquistou para você e de seu Espírito, o sopro divino, que em você faz morada. Viva uma vida inspirada, entusiástica, cheia de emoção, amor e gozo no espírito. Olhe para frente e com fé conquiste seus sonhos. Acenda a chama que existe em você, e deixe fluir o vigor da vida. Confie no Senhor e na força do Seu poder, pois quem confia no Senhor prospera (Pv 28,25) e supera as dores deste mundo, porque sabe que “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8,18).

Quinta-feira, Março 06, 2008

Reflexão

Células-tronco embrionárias, e a igreja evangélica?
Nesta quarta-feira, diz 5, o Supremo Tribunal Federal iniciou a votação da Ação Direta de Inconstitucionalidade 3.510, que pede a exclusão do artigo 5º da Lei de Biossegurança (Lei 11.105/05). (veja a íntegra da Lei)

O artigo permite a utilização em pesquisas de células-tronco embrionárias fertilizadas in vitro e não utilizadas. A regulamentação prevê que os embriões usados estejam congelados há três anos ou mais e veta a comercialização do material biológico. Também exige a autorização do casal.

As células-tronco embrionárias são consideradas esperança de cura para algumas das doenças mais mortais, porque podem se converter em praticamente todos os tecidos do corpo humano. Entretanto, o método de sua obtenção é polêmico, porque a maioria das técnicas implementadas nessa área exigem a destruição do embrião.

A questão divide opiniões entre os diferentes setores da sociedade. A igreja (Católica) diz que a Constituição garante a inviolabilidade do direito à vida e a dignidade da pessoa humana e parte do princípio de que esses direitos são extensivos ao embrião, porque a vida começaria na concepção.

A CNBB encaminhou ao STF uma carta pedindo aos ministros que votem a favor da inconstitucionalidade do artigo em questão. “A Igreja volta mais uma vez a dirigir sua palavra em defesa da vida. Esta é a posição básica e fundamental da Igreja. Não significa ser contra a ciência, contra o progresso, mas ser em primeiro lugar a favor da vida”, disse o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha. O secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, lembrou que a Campanha da Fraternidade deste ano, abordando o tema Fraternidade e Defesa da Vida, quer “abarcar todo o conjunto da vida humana, da concepção à morte natural”. O secretário afirmou, ainda, que a partir do momento que a vida começa, deve ser protegida, inclusive pelas instituições da sociedade civil e do próprio Estado. Para ele, a Lei de Biossegurança, quando aprovada, trouxe erros graves ao misturar temas completamente díspares num único projeto de lei. “A Lei de Biossegurança abre caminho para a legalização progressiva do aborto e o desrespeito da vida humana”, declarou.

De fato, este é um assunto em que toda a sociedade deveria expressar sua opinião. A igreja católica está fazendo seu papel, se posicionando segundo sua fé. Esta discussão exige, claro, a opinião de especialistas em diversas áreas do conhecimento, como a filosofia, direito, medicina, teologia etc. Deve haver esta dialética entre a opinião científica e o fazer teológico elaborado nas comunidades a partir da Palavra de Deus, para que a partir da Bíblia nos posicionemos como Igreja. No entanto, um fato me tem chamado a atenção, os evangélicos, o que dizem a respeito? Não tenho encontrado nenhuma posição oficial das principais igrejas protestantes. O que pensamos a respeito? Qual nossa posição neste assunto? Se discordamos da manipulação das células-tronco embrionárias, cadê nossa manifestação? Se somos a favor, baseados em quê?Enfim, o assunto é relevante, oremos e busquemos na Palavra do Senhor uma direção para este assunto. Lembrando que o Senhor Jesus veio para nos dá vida e vida em abundancia! E está vida que Ele nos deu foi por meio de sua morte.

Sábado, Março 01, 2008

Vale a pena ler



Ratos e homens

de

John Steinbeck

Ratos e homens, publicado originalmente em 1937, é um dos mais belos textos de John Steinbeck (1902-1968) – um dos maiores romancistas do século 20 – e até hoje um dos livros mais lidos do autor.


George e Lennie são dois amigos bem diferentes entre si. George é baixo e franzino, porém astuto, e Lennie é grandalhão, uma verdadeira fortaleza humana, mas com a inteligência de uma criança. Só o que os une é a amizade e a posição de marginalizados pelo sistema, o fato de serem homens sem nada na vida, sequer família, que trabalham fazendo bicos em fazendas da Califórnia durante a recessão econômica americana da década de 30. Ganham pouco mais do que comida e moradia. No caminho, encontram outros sujeitos pobres e explorados, mas também situações que colocam em risco a sua miserável e humilde existência.


Em Ratos e homens, Steinbeck levou à maestria sua capacidade de compor personagens tão cativantes quanto realistas e de, ao contar uma história específica, falar de sentimentos comuns a todos seres humanos, como a solidão e a ânsia por uma vida digna.


Um clássico sobre o doloroso período da Grande Depressão americana. Uma peça de ficção para ser lida e relida.

Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

Devocional

A Dádiva da Amizade



Cultivando um amigo espiritual A amizade é uma das maiores dádivas que o ser humano pode receber. Ela está para além dos alvos comuns, dos interesses compartilhados ou das mesmas histórias. É mais forte do que a atração física, mais profunda do que a solidariedade ou um projeto vida. A amizade é a alegria de dar e receber, de amar e sofrer, de confiar e entregar sem reservas. É estar com o outro, mesmo quando não podemos nem aumentar a alegria, nem diminuir a tristeza. Amizade é o encontro de almas que promove a nobreza do amor.


O culto ao individualismo, a busca pela realização pessoal, o narcisismo, a satisfação imposta pelo consumismo, tudo isso tem criado em nós uma sensação falsa de preenchimento e uma percepção cínica da amizade. Muitos homens modernos estranham e até levantam suspeitas sobre as declarações de Jônatas a Davi que, segundo o relato bíblico, afirma que o amava como à sua própria alma. Nossa capacidade de compreender o significado e a profundidade da amizade compromete, não só nossa humanidade, mas sobretudo, nossa relação com Deus. De um lado, nossa vida pode ser resumida na busca por um amigo, na renúncia da solidão; mas, por outro, rejeitamos a idéia de qualquer relacionamento cuja intimidade levante suspeitas sobre nossa integridade e comprometa nossa liberdade.


Foi a amizade entre Davi e Jônatas que livrou Davi da loucura, de ser um homem amargo, doente e vingativo. a relato da amizade entre os dois dá-se entre os capítulos 18 e 20 do primeiro livro de Samuel. Nestes três capítulos vemos o relato do ciúme assassino de Saul contra Davi, quando por várias vezes tenta destruí-lo e matá­-lo. Davi tinha tudo para ser uma pessoa vingativa e amarga. Foi perseguido e odiado, não por ter feito algo errado, mas por ser bom, fiel e generoso. No Salmo 41 ele descreve sua tristeza por ser traído por um amigo íntimo, em quem ele confiava e que comia em sua mesa. Davi amava Saul. Ser perseguido e odiado por alguém que se ama é um golpe que leva qualquer pessoa à loucura, que traz profundas raízes de amarguras. Davi tinha tudo para ser alguém assim. No entanto, a amizade de Jônatas surge como um jardim no meio do deserto de Davi. Ela o preserva, guarda seu coração e alma, mantém sua humanidade firme e verdadeira. A amizade salvou Davi.


O alicerce da amizade de Davi e Jônatas foi Deus, o Deus da aliança. Ao se despedirem, depois de chorarem e beijarem um ao outro, disse Jônatas a Davi: "Vai-te em paz. porquanto juramos ambos em nome do Senhor, dizendo: O Senhor seja para sempre entre mim e ti e entre a minha descendência e a tua." Há, nesta declaração, duas características da amizade de Davi e Jônatas que merecem ser destacadas. A primeira é Deus. Deus faz parte da amizade. Na verdade, toda amizade começa em Deus, ou melhor, toda experiência real e verdadeira de amor começa e é preservada em Deus, que é a fonte de todo amor. Somente quanto nos sentimos amados, desejados e queridos, é que aprendemos a amar, desejar e querer. O único amor que torna possível o nosso amor é o amor divino. Um amor que se dá a nós sem reservas ou medos, que não impõe condições, que é generoso e abundante. Deus nos ama, não porque atingimos algum grau de perfeição ou pureza, mas por sermos exatamente como somos. Ele nos conhece como ninguém, sabe tudo a nosso respeito, não há nada que possamos esconder dele, e mesmo assim nos recebe em seu amor, abraça nossas culpas e pecados, sofre nossas dores, chora nossa miséria e cria para nós um novo lar, uma família, uma comunidade. Jônatas e Davi colocam Deus entre eles. "Seja Deus entre nós para sempre", foi o que Jônatas disse a Davi. Deus será sempre o avalista desta amizade. Ela não existe sem ele. Ele estará sempre no meio, será o elo que liga, a corrente que amarra e prende. Será uma amizade fundamentada em Deus e no seu amor. Será maior que Davi, maior que Jônatas, maior que as circunstâncias, maior que os riscos que o pecado humano naturalmente cria nas amizades. "Seja Deus para sempre entre nos.”


A outra característica na declaração de Jônatas foi sua despedida. Ele inicia dizendo: "Vai-te em paz!" - é uma amizade libertadora, não possessiva, não sufocante. Ela deixa o outro seguir, invoca a paz, abençoa. Toda relação possessiva, dominadora, não passa de uma relação com o próprio ego medroso e inseguro. Ela não alimenta o amor, não promove o outro, não contribui para o crescimento. Davi nunca mais viu Jônatas, o convívio entre eles teve curta duração, mas a amizade permaneceu pelo resto da vida. Até mesmo depois da morte de Jônatas, Davi continuou celebrando a aliança que juntos haviam invocado, continuou provando a bênção da presença de Deus que tornou possível a amizade.


Toda dádiva de Deus tem um valor em si mesma. Estamos acostumados a encontrar o valor das coisas em algum lugar fora delas. Precisamos de resultados, estatísticas, alguma comprovação de que o investimento foi bom, valeu a pena. Os dons de Deus não deveriam ser avaliados assim. Sua beleza reside neles, e não apenas no que produzem. A amizade tem sua beleza nela mesma. Como disse Rubem Alves, um amigo é aquela pessoa que vive de sua inutilidade. Ele diz: "Pode até ser útil eventualmente, mas não é isso que o torna um amigo. Sua inútil e fiel presença silenciosa torna a nossa solidão uma experiência de comunhão. Diante do amigo sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir." Foi isto que a amizade de Jônatas fez por Davi: nunca permitiu que Davi se sentisse só, mesmo depois da sua morte. Jônatas abriu o coração de Davi para esta experiência única e transformadora.


Amigos são dádivas de Deus. Não os fabricamos, apenas os recebemos com alegria e gratidão e os cultivamos com amor e dedicação. No entanto, vale lembrar que eles não são substitutos de Deus, pois trazem consigo suas limitações e fraquezas. Seu amor não é infalível, muito menos perfeito. Se temos medo de amar, se não aceitamos os riscos e as deficiências da amizade, então dificilmente construiremos os vínculos da comunhão. Nenhum amigo jamais preencherá sozinho as lacunas da nossa alma ou da nossa solidão. Mas é na amizade, com todas as suas limitações, que podemos experimentar o amor incondicional e ilimitado de Deus. É nela que aprendemos a dar e receber, a amar e ser amados, a perdoar e compreender. Aprendemos a cuidar, consolar, confrontar e compartilhar alegrias e tristezas. Precisamos de Deus para aprender a amar nossos amigos e precisamos dos amigos para seguir amando a Deus. Fomos chamados para a amizade. A comunhão faz parte da vocação primeira do cristão. Jesus, no sermão de despedida, disse que não chamaria mais seus discípulos de servos, mas de amigos. A razão é muito simples: não haveria mais segredos entre eles; tudo quanto ele e o Pai compartilhavam, agora seus amigos também compartilhariam. Jesus nos chama para a amizade. Não há convite mais pessoal amoroso e eterno do que este, assim como nada há de mais transformador, mais verdadeiramente humano e mais revolucionário. E eu me pergunto se nossa resistência à oração não é porque resistimos à amizade... Mas isto fica para uma outra conversa.
Ricardo Barbosa de Souza

Notícias

Igreja Blindada!?

O Rio de Janeiro possui mais de 600 favelas. Igrejas evangélicas convivem neste ambiente, pregando o Evangelho e foram até foco de atenção e elogio da imprensa americana, que ressaltou o trabalho social dos evangélicos em favelas cariocas.

E bem no meio deste universo de peculiaridades culturais e muitos riscos, está uma igreja assustada com o número de balas perdidas que ameaçam os frequentadores de seus cultos. É a Igreja Congregacional de Acari, que decidiu blindar seu templo e irá construir paredes que contarão com concreto, ferro e pedras para maior proteção.

Entre o fogo cruzado de policiais e traficantes, a igreja está localizada em um dos principais acessos à favela de Acari, e é frequente ver a imagem de irmãos atirando-se ao chão na hora dos tiroteios. O pastor Odalirio Luís da Costa, responsável pela igreja, argumenta: “Já contamos com a proteção divina e agora teremos paredão blindado em toda a lateral de 35 metros de comprimento”.

A blindagem deve ficar pronta em fevereiro e conta com a ajuda do auxiliar do atual técnico da Seleção Brasileira de Futebol, o ex-jogador Jorginho.
Fonte: Enfoque Gospel