Quarta-feira, Novembro 15, 2006

"Baladas de Cristo"

Cristotecas, raves e shows com bandas de rock atraem jovens para igrejas e encontros de pregação.

Alexandre Alves
São José dos Campos Vale Paraibano

Jesus Cristo está para as baladas assim como Pelé está para o futebol. Tudo a ver. É assim que centenas de jovens da região procuram convencer seus pares a aderir ao movimento das 'Baladas de Cristo', eventos ligados a diversas religiões que unem música, pregação e adoração a Deus. Tudo ao mesmo tempo e sob o mesmo teto. Diferentemente das baladas ditas 'mundanas', as cristãs não admitem bebidas alcoólicas, cigarros ou drogas. Exatamente por isso, frequentadores asseguram que a diversão é mais legítima, saudável e equilibrada. E há modalidades para todos os gostos: Cristotecas (discotecas) , encontros e acampamentos, raves (música eletrônica) e shows com bandas ao vivo. Graduado em teologia, Eliandro Viana, 31 anos, organiza desde 2005 a 'Parada Jovem' da Igreja Batista Nova Vida, em Guaratinguetá . O evento deve reunir cerca de 500 jovens da região e de outros Estados em dois dias de muita música, diversão, louvor a Deus e oração, em novembro. Para Viana, que cresceu num ambiente conservador de uma igreja protestante em São Paulo, as baladas cristãs servem como inspiração para os jovens receberem a palavra e o testemunho de Cristo. É preciso falar a linguagem deles e entrar no mundo dos jovens, para daí incentivá-los a seguir na caminhada religiosa. "Quando criança, tudo era proibido na minha igreja. Éramos um Fusca 66 andando pela via Dutra", lembra Viana. Hoje, ele diz que vive uma "revolução" na Igreja. "Os jovens estão descobrindo a fé através das baladas, que devem sempre ter um propósito definido e serem feitas com muita seriedade."
Na Primeira Igreja Batista de São José dos Campos, na região central, jovens como o designer Marcos Madaleno, 23 anos, realizam todas as semanas o evento 'Conexão'. Durante duas horas, aos sábados, centenas de jovens ouvem música, dançam, participam de palestras e louvam a Deus. O ritmo muda conforme o evento e o público, explica Madaleno. Pode ir do rock à MPB e envolver até 1.500 jovens. Este foi o público estimado no show da banda "Filhos do Homem", do Paraná, que tocou ontem na Igreja. "Procuramos quebrar o paradigma do culto formal e conservador. Nossa meta é falar a linguagem dos jovens", diz a advogada Renata Alves, 26 anos. Para Madaleno, o público dos eventos é formado por jovens que buscam "outro sentido para a vida". "Nos divertimos nas baladas porque temos Jesus no coração. Isso dispensa qualquer tipo de droga, bebida ou cigarro", garante a relações públicas Queila da Rosa, 25 anos. O ator Lucas Sanseverino, 24 anos, dá o tom das baladas: "Importante é louvar em diversos ritmos e temas. Deus estará lá, sempre."

A mãe e o pêssego

“O pai reuniu a mulher, os dois filhos e comunicou:"Perdi o emprego. A partir de amanhã, nossa vida será diferente. Para manter o essencial, teremos de cortar o supérfluo".
O filho mais moço perguntou o que era "supérfluo". O pai deu um exemplo: "Você gosta de pêssegos. Pois cortaremos os pêssegos. Sobremesa, agora, é goibada e pronto!"
O garoto ficou pensando que todos os dias comeria goiabada, e ele não gostava de goiabada. Para azar dele, era tempo dos pêssegos, aveludados, doces como mel.
Passou a primeira semana sem sobremesa. Preferia morrer a comer a goiabada que parecia eterna: quando acabava uma, logo aparecia outra. Até que um dia a mãe voltou da feira com o carrinho quase vazio. Mesmo assim, em lugar de destaque, por cima de todas as compras, lá estava a lata de goibada. O menino teve um engulho.
Mas, logo que o pai saiu para procurar emprego, a mãe chamou o guri. Para não despertar suspeita no filho mais velho, falou com autoridade: "Venha cá!". O menino pensou que fizera alguma coisa errada e que ia levar uma bronca. A mãe levou-o para o banheiro e fechou a porta.
Mostrou um enorme pêssego, vermelho e amarelo, a penugem aveludada, doce como o mel: "Olha o que eu trouxe para você!". O menino nem gostou do pêssego. Preferiu gostar mais daquela mãe.”